segunda-feira, 28 de março de 2011

Dos quebra-cabeças em travesseiros

O travesseiro é o pior inimigo de uma mente ocupada.
Repouso minha cabeça e algo acontece.
As idéias se espalham como um quebra-cabeça dentro de uma caixa.
E, então, fecho os olhos para montá-lo.

A brincadeira começa quase sempre que do mesmo jeito.
Separo as peças dos cantos. Aquelas que, ao menos, eu sei onde vão estar.
Então, começa pelo que fazer amanhã, e depois, e até o fim da semana.
Tento encaixar todas elas, e a moldura da mente está pronta.

Hora de escolher as peças que são representativas.
Daquelas que você bate o olho e: "Aha! É essa parte do desenho!"
E, a partir daí, claro, vem as peças adjacentes. Nada que uma cor parecida não resolva.
Eu diria que esse é o plano das bobagens: as próximas aventuras, passeios, filmes, jogos, músicas...
Olho para o chão e já vejo alguns blocos de tamanhos aleatórios se formando.
É a fase leve do trabalho.

A próxima etapa é bem mais complexa.
Unir os grandes blocos exige noção espacial do desenho e uma boa previsão sobre o caminho entre eles.
Surgem os planos de longo prazo.
O fim da faculdade, as últimas matérias, o projeto final, congressos e novas provas.
Movo os blocos com a palma das mãos para evitar que desmanchem e tento organizá-los.

E, enfim, o último passo. As peças que sobram.
Eu olho e olho.
Tento memorizar o formato dos encaixes e comparar com cada complemento.
São as últimas idéias que antecedem o, enfim, sono.
Lembranças empoeiradas, ruas onde caminhei, diálogos perdidos que tive.
A apelação final para as últimas peças é, simplesmente, tentar.
Tenta aqui, tenta ali. Gira, gira. Encaixa! Ah!!!
É o voo de palavras solitárias, nomes importantes, pessoas queridas e contas sem importância.

O quebra-cabeça está montado.
Olhos bem abertos para apreciar sua bela imagem, depois de tanto trabalho.
Olhos bem fechados para apreciar seus belos sonhos, depois de tanto pensar.